dimanche 15 février 2009

Lá fora -
um gato mia
desalmadamente!

Nem a tábua de engomar
sonhava acabar os seus dias
tombada no passeio.

O assobio inconfundível
do amolador -
o que há ainda para amolar?

Lua nova -
quase sumida
por uma palmeira.

Mesma hora.
Outro lugar -
mas também chove.

O mendigo lê o jornal,
pés descalços a apanhar sol -
na praceta da vila.

No lago -
peixes dourados abocanham.
Bocas quase humanas.

No horizonte -
um rio ou um mar?
Estendais nas varandas.

Nem a sapatilha
sonhava acabar os seus dias
na cidade dos coelhos.

2 commentaires:

Dinis Lapa a dit…

Um gato em cio, lixo, um amolador, a chuva, a noite, a pobreza e o sonho. Muitas histórias foram-me contadas ao ler este conjunto de haikus.

ma grande folle de soeur a dit…

Não será o (a) haijin mais do que um contador de histórias?