samedi 14 février 2009

Assise tel un Bouddha -
seul le bruit des vagues
heurte mon crâne

Sentada como um Buda -
apenas o ruído das ondas
percute o meu crânio


Plus un grain de sable -
la plage hâpée
par l'océan

Nem um grão de areia -
a praia engolida
pelo oceano


Des rigoles d'eau irriguent
ce corps pierreux -
le mien, c'est du sang?

Veios de água irrigam
este corpo de pedra -
o meu, será sangue?


Le temps passe
passe le temps -
les vieux traînent des pieds

O tempo passa
passa o tempo -
os velhos arrastam os pés


Assis sur les bancs publics,
face à l'azur -
une brochette de vieux

Sentados nos bancos públicos,
frente ao azul -
alinhamento de velhos


À l'intérieur -
l'odeur de l'encens.
Dehors -
le train qui passe.

Dentro -
o odor do incenso.
Fora -
o comboio que passa.


Ce soir - recroquevillée -
sur le pas de la porte
au R/C de mon corps

Esta noite - enroscada -
no patamar
no R/C do meu corpo


Une perle de rosée
sur l'ongle du gros orteil -
seul vestige de la promenade

Uma pérola de orvalho
na unha do dedo grande -
único vestigio do passeio

4 commentaires:

Dinis Lapa a dit…

Sentada como um Buda -
apenas o ruído das ondas
percute o meu crânio


Este é qualquer coisa de excepcional.

p.s- Sim, o Nuno já falou comigo, mas ainda não parei para pensar nisso. obrigado, ainda assim.

ma grande folle de soeur a dit…

obg. No pb. Quando tiver digitalizado os formulários envio-vos. Abraço

Rita Almeida a dit…

Também achei excepcional!!! Lindo!!!

nuno brolock a dit…

Nem um grão de areia -
a praia engolida
pelo oceano

Isto lembra-me um adágio popular que gosto muito:

“Seja um grão de areia ou uma pedra,
na água ambos se afundam”