jeudi 7 décembre 2017

j'ai mille phrases en tête -
que je voudrais te réciter
mais l'oubli est tel le vent

il emporte, emporte et emporte

Foto : António Carrilho

vendredi 1 décembre 2017

Micro conto


Eram sete à mesa. O pai, a mãe e os cinco filhos. Quatro raparigas e um rapaz. Todos em escadinha. A Belinha não era a primogénita mas ganhara a vantagem de poder sentar-se do lado direito do pai que adorava. Sempre que os miúdos se portavam mal, o pai alçava a mão e acertava na sua testa. Ela revirava os olhos e recompunha-se rapidamente. Afinal, ninguém mais do que ela adorava o seu pai Fritz. O mais belo homem do mundo. A mesa era redonda. A mãe tinha-a mandado fazer por encomenda. Tinha uma base em mogno maciço e um tampo de vidro. A Belinha poderia, facilmente, ter trocado de lugar com qualquer um dos quatro irmãos, porém, nunca o fizera porque, acima de tudo, o que era sublime era poder sentar-se sempre do lado direito do pai. Mesmo se a única atenção que o pai lhe prestava era o estalo certeiro na fronte. Ainda hoje a Belinha não consegue explicar a razão pela qual o pai sempre alçara a mão direita ao mesmo tempo que vociferava : « Meninos ! Estejam calados ! ». Ainda hoje a Belinha considera que o pai e a mãe eram dois monstros sagrados, imaculados. Dois meninos prodígio oriundos da classe proletária que haviam almejado e alcançado um diploma do ensino superior. O pai sobretudo a enche de orgulho. Um intelectual que, no rescaldo da segunda guerra mundial, havia fugido de uma Alemanha pós-nazi carcomida pelo complexo da culpa. Pouco lhe importavam os filhos. Pouco lhe importava a família, mas fizera cinco filhos à Francisca tão-só porque era católico. Só agora, a Belinha, após várias sessões de psicoterapia, percebeu que aquela mão direita alçada era a sua dose de afecto quotidiana. A única atenção que jamais receberia do monstro sagrado que amava perdidamente. Do monstro sagrado, a Belinha herdou geneticamente um vício danado – bebe e muito. Mas também uns olhos eternamente azuis.

Source: designeverywhere

lundi 13 novembre 2017

Fragments

j'allume la lumière
je vois ton visage
j'éteins la lumière
ta peau est lisse  et fraîche
je t'etreins et la nuit 
nous endort soudés


Alexey Menschikov

samedi 4 novembre 2017

je suis dure comme la pierre
mais, ce matin, je me sens aussi frêle
qu'un oisillon