j'ai mille phrases en tête -
que je voudrais te réciter
mais l'oubli est tel le vent
il emporte, emporte et emporte
jeudi 7 décembre 2017
vendredi 1 décembre 2017
Micro conto
Eram sete à mesa. O pai, a mãe e os cinco
filhos. Quatro raparigas e um rapaz. Todos em escadinha. A Belinha não era a
primogénita mas ganhara a vantagem de poder sentar-se do lado direito do pai
que adorava. Sempre que os miúdos se portavam mal, o pai alçava a mão e
acertava na sua testa. Ela revirava os olhos e recompunha-se rapidamente.
Afinal, ninguém mais do que ela adorava o seu pai Fritz. O mais belo homem do
mundo. A mesa era redonda. A mãe tinha-a mandado fazer por encomenda. Tinha uma
base em mogno maciço e um tampo de vidro. A Belinha poderia, facilmente, ter
trocado de lugar com qualquer um dos quatro irmãos, porém, nunca o fizera
porque, acima de tudo, o que era sublime era poder sentar-se sempre do lado
direito do pai. Mesmo se a única atenção que o pai lhe prestava era o estalo
certeiro na fronte. Ainda hoje a Belinha não consegue explicar a razão pela
qual o pai sempre alçara a mão direita ao mesmo tempo que vociferava :
« Meninos ! Estejam calados ! ». Ainda hoje a Belinha
considera que o pai e a mãe eram dois monstros sagrados, imaculados. Dois
meninos prodígio oriundos da classe proletária que haviam almejado e alcançado um
diploma do ensino superior. O pai sobretudo a enche de orgulho. Um intelectual
que, no rescaldo da segunda guerra mundial, havia fugido de uma Alemanha
pós-nazi carcomida pelo complexo da culpa. Pouco lhe importavam os filhos.
Pouco lhe importava a família, mas fizera cinco filhos à Francisca tão-só porque
era católico. Só agora, a Belinha, após várias sessões de psicoterapia,
percebeu que aquela mão direita alçada era a sua dose de afecto quotidiana. A
única atenção que jamais receberia do monstro sagrado que amava perdidamente.
Do monstro sagrado, a Belinha herdou geneticamente um vício danado – bebe e
muito.
lundi 13 novembre 2017
Fragments
j'allume la lumière
je vois ton visage
j'éteins la lumière
ta peau est lisse et fraîche
je t'etreins et la nuit
nous endort soudés
je vois ton visage
j'éteins la lumière
ta peau est lisse et fraîche
je t'etreins et la nuit
nous endort soudés
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