lundi 30 mars 2009

Du rouge aux lèvres - Haïjins japonaises (Éd. La Table Ronde)

Sans hésitation,
je coupe une pivoine
dans le vent violent.

Les lèvres mouillées
du jus de pêche blanche,
je ris.

J'arrose,
pensant pouvoir
vivre encore.

Toshiko Tonomura (1908-2000)

Sem hesitar,
corto uma piónia
no vento violento.

Os lábios molhados
do sumo de pêssego branco,
rio.

Rego,
pensando poder
ainda viver.

samedi 28 mars 2009

Após 15' à chuva-
penso nos 15' de fama
prometidos pelo A. Warhol
Après-midi laiteuse -
je contemple le jardin grillagé
à l'arrière du vieil immeuble.

Je me fiche de la mode
comme de l'an 40 - dit-elle.
Elle a du chien à revendre.

Do fado da rã curiosa...


vendredi 27 mars 2009

Farta de monotonia -
a rã saltou do lago
rumo ao desconhecido.

jeudi 26 mars 2009

Na sala dela - 2 esqueletos
e 1 sepultura ainda fresca.
Hoje, veste de luto.

Apesar da chuva -
dei ordem de despejo
aos fantasmas.

mercredi 25 mars 2009

durante a noite
cantou ao vento
o espanta-espíritos

lundi 23 mars 2009

15 andares em destruição
2 em construção -
o mundo num estaleiro.

samedi 21 mars 2009

Na minha vida tenho tudo.
Não me falta nada - diz ela.
Só falto eu!

Sakuras floridas? -
Não!
Aqui tudo dá fruto.

vendredi 20 mars 2009

À beira-mar -
a vociferação matinal
das gaivotas

Tempero as batatas -
penso no sal
como cai no mar?!

Tudo em flor -
o marmeleiro da vizinha
enquadrado com a gingeira.
Primavera!

jeudi 19 mars 2009

mercredi 18 mars 2009

Life in the city -
un chat au n° 13
un lièvre dans les champs

Sol de Primavera -
uma mãe ensina à filha
como picam as rosas

Entre nós amor -
duas marcas de segurança
como na auto-estrada!

lundi 16 mars 2009

Leaves on the shore


Frente ao barulho do mundo -
cortar os olhos
ou fechá-los?

Folha caída no chão -
lamenta não ter durado
até melhores dias

samedi 14 mars 2009

Da inoculação do vírus....

Brincam crianças
em montes brancos.
As armas gelaram.

Flocos de neve
semeiam silêncio
na cidade.

Dias de Carnaval -
sobem aos rostos
as máscaras da cidade.

Dias de Carnaval -
as máscaras passeiam.
O Homem descansa.

Um cauteleiro
na esquina da rua
apregoa sonhos.

Sentado na esquina
uma cautela na mão,
na outra um desejo.

Um velho cauteleiro
vende sonhos
compra sorrisos.

Todos os dias,
na mesma esquina
as mesmas cautelas.

(Rogério Pinto)

vendredi 13 mars 2009

Convite

Logo hoje, nasceu-me outro blogue..

Para quem quiser perceber porque ando atrás de camisolas rotas..

Convido a dar uma olhadela ao:

http://couve-do-mar.blogspot.com

e já agora, se me acharem digna de as estraçalhar, ...

crio-vos um modelo absolutamente exclusivo!
Sol de Primavera -
estendo a roupa branca
sinto calor nas pernas

Limpo o pó -
meu filho escreveu seu nome
na prateleira

Street Art


Marseille, 2009
L'homme dans la rue -
prend la pluie
sans parapluie

jeudi 12 mars 2009

Penso em ti
e na decalração de IRS -
dispara-me a ansiedade!

Lua cheia -
the f* moody brunette
(re)nasce em mim!

Ecce Homo..


Reminiscências do homo gadgetus da janela de alberti...

mercredi 11 mars 2009

chuva de granito -
faz ricochete
no parapeito da janela

2 metades de céu -
só o arco-íris
faz a divisão

1/2 do céu chove -
eu, do lado errado
molhada até aos ossos

sob o arbusto -
abrigado da chuva
silva o jovem melro

1 projector potente -
o reflexo do sol
na janela da frente
na rua, à saída da missa -
crentes em seus carros
buzinam fervorosamente

na rua, risos e brincadeiras -
distante,
a criança que fui

cansaço - estou cansada
de tanto me puxarem
pelos baraços

basic needs -
sun, sex, fun
and Rock n'Roll
Dans la forêt noire -
mes petits pieds
dans mes petits souliers jaunes

Le sens unique -
ça marche pour les voitures.
Et pour les gens?

dimanche 8 mars 2009

Da(s) mulher(es)... haijins japonesas

Aya Shobu (1924-2005)

Premiers jours d'été.
Les aisselles poilues
d'une jeune ouvrière.

Primeiros dias de Verão.
As axilas por depilar
de uma jovem operária.

Mariko Koga (1924- )

Épais brouillard -
Je me couche en embrassant mon sein,
ôté demain.

Nevoeiro denso -
Deito-me abraçada ao meu seio
tirado amanhã.

Nobuko Katsura (1914-2004)

Quel ennui,
ces seins!
Longue saison des pluies.

Que chatice,
estes seios!
Longa estação das chuvas.

Takajo Mitsuhashi (1899-1972)

Pleine lune d'hiver.
Un bébé ouvre
les poings.

Lua cheia de Inverno.
Um bébé abre
os punhos.

Midorijo Abé (1886-1980)

J'aime ma vie,
comme j'aime
les roses.

Amo a minha vida,
como amo
as rosas.

Shizunojo Takeshita (1887-1951)

Je suis une femme
refusant obstinément
d'acheter le journal.

Sou uma mulher
que recusa obstinadamente
comprar o jornal.
crescem impassíveis
os malmequeres
no terreno industrial


fumarolas de enxofre -
comemos ovos negros
em Okindawara

Lost persons fabulae

nem a velhota
sonhava acabar os seus dias
à porta da igreja


nem a criança
sonhava vender o Borda d'Água
à beira do passeio


nem o homem
sonhava passar as noites
debaixo de cartão ondulado

Lost items fabulae

nem a poltrona esventrada
sonhava acabar os seus dias
na Serra dos Candeeiros

samedi 7 mars 2009

Dit-elle... après avoir bu/vu...

1.
La vie - dit-elle -
cet échiquier où tu gagnes,
mais tu perds!

2.
Tais-toi - dit-elle -
on ne sait pas
si les murs ont des yeux!

3.
I want to be - dit-elle-
someone else
after the massive hangover
Manhã - a chuva escorre
pelas paredes.
Passa o 1º comboio.

Relógio parado -
substituo a pilha
ou fico suspensa no Tempo?

As palavras líquidas -
a escorrer
por um funil.

(inspirado no post da Ju em @Dis-cursos)

vendredi 6 mars 2009

Les grands maîtres du Haïku

Bashô

Brume et pluie.
Le Fuji voilé.
Malgré tout, je marche, heureux.

Une journée paisible.
Le Mont Fuji perdu
dans la brume.

Le miroir sacré
clair et brillant,
reflète les fleurs de neige.

Neblina e chuva.
O Monte Fuji enevoado.
Apesar de tudo, caminho, feliz.

Um dia plácido.
O Monte Fuji perdido
na neblina.

O espelho sagrado
claro e brilhante,
reflete as flores de neve.

nem o colchão da cama de criança
sonhava acabar os seus dias
na calçada da Marginal

jeudi 5 mars 2009

Les grands maîtres du Haïku

Bashô

Déjà le printemps?
La colline sans nom,
toujours voilée par la brume.

Regarde, regarde
les vraies fleurs
de ce monde de souffrance.

Chevauchant sous la lune,
à moitié endormi, à moitiè rêvant.
La fumée du thé du matin.


Já a Primavera?
A colina sem nome,
ainda enevoada.

Olha, olha
as verdadeiras flores
deste mundo de sofrimento.

Cavalgando sob a lua,
meio acordado, meio a sonhar.
Fumega o chá da manhã.

mercredi 4 mars 2009

rustling leaves
in the trees -
winter darkness

killing time in the city -
the day and the beer
coming to an end
noite sem Lua -
só os néons
das multinacionais

lâmpada do WC -
lua pardacenta
intra muros

ventania -
o som vibrante
do espanta espíritos

a casa treme
a cada vibração -
obras na rua

ventania -
um oceano ocre
ervas altas a ondular

temporal -
abana o avião de papel
atirado ao vento
nem a luva perdida
sonhava acabar os seus dias
no banco do aeroporto

nem a bola de ténis
sonhava acabar os seus dias
na valeta

dimanche 1 mars 2009

Haiku du XXe siècle - Gallimard

«Autant et peut-être plus encore qu'un poème, le haiku est un mode de vie, un style d'être, une approche sensuelle du monde. Il est (...) une initiation à la vie poétique, à une perception autre des êtres et des choses. (...) Bashô nous invite à écrire un haiku « comme on abat un grand arbre, comme on désarme un adversaire, comme on fend une pastèque, comme on engloutit une poire.» (...)
Pour le haijin, tout se tient, tout est lié. Ce chasseur de sensations ne juge pas le réel à l'aune de ses attentes, mais s'attache à le saisir tel qu'il est. À le saisir dans l'occasion propice, dans l'attention vibrante à ce qui se présente. (...) Attentif à voir directement la réalité telle qu'elle est - et non telle que l'intellect la cartographie, la décrit ou la conçoit -, le poète de haiku s'attache à montrer vraiment les poissons dans l'eau, à capter la tangente avec l'instant où les poissons sont le plus absolument poissons. Le réel n'est jamais dénié, tenu à distance, sacrifié sur l'autel de l'idéal ou du verbal. Au contraire, il donne lieu à un affûtement sans fin de l'écoute. Tout vrai poète de haiku est un élève du monde (...).»
Corinne Atlan et Zéno Bianu



Baroque
la chouette ulule
dans la forêt des buildings
Yamagishi Ryûji


Seulement ce chemin
où je marche seul

Taneda Santôka


Odeur de dentifrice
solitude -
je cherche tes lèvres
Azumi Atsushi

Près de la gare
j'ai trinqué
avec cette époque aveuglante
Hoshinaga Fumio

Plaine de roseaux -
si j'ouvre les yeux
mon coeur se fêle!
Fuyuno Niji